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Apenas de 10 a 20% das reações adversas a medicamentos são consideradas alérgicas

Entenda melhor quais são os tipos de reações que podem ocorrer ao ingerir remédios

Reação adversa a medicamento segundo a ANVISA é qualquer efeito nocivo, não intencional e indesejado de uma droga, observado nas doses terapêuticas habituais em seres humanos para fins terapêuticos, profiláticos ou diagnósticos. 

As reações adversas a drogas dividem-se em dois tipos.

Reações previsíveis

Podem ocorrer em qualquer indivíduo e são relacionadas à ação farmacológica da droga, geralmente dose-dependente. Representam aproximadamente 75% das reações adversas a drogas. Há quatro variedades deste tipo de reação: 

1) Toxicidade: os efeitos são relacionadas com a quantidade da droga no organismo, acontecem quando o limite for ultrapassado. Como exemplo, temos a depressão do distema nervoso central com barbitúricos, lesão hepática pelo uso de paracetamol. 

2) Efeito secundário ou indireto: é um efeito relacionado de forma indireta à ação farmacológica da droga. Por exemplo, a administração de um antibiótico estimula a produção de uma toxina que provoca colite membranosa. 

3) Efeito Colateral: efeito indesejável mesmo com doses usualmente empregadas. Como sentir sonolência com anti-histamínicos. 

4) Interação de drogas: medicamentos administrados simultaneamente podem interagir aumentando ou diminuindo uma resposta esperada ou determinando uma resposta inesperada. Como a fenitoína pode aumentar no soro se administrada junto com fluoxetina ou sulfonamida. 

Reações não previsíveis

Ocorrem em pacientes suscetíveis (devido a características próprias dele) não relacionadas com ação farmacológica da droga, mas com a resposta individual, deficiências genéticas ou com uma resposta imunológica, em geral dose independentes. Também existem quatro variedades deste tipo de reação:

1) Intolerância medicamentosa: trata-se de um limiar diminuído para a ação farmacológica de uma droga em indivíduos suscetíveis. Para uma mesma dose de medicamento, um indivíduo com intolerância a essa substancia responderá com uma ação indesejável mais evidente do que a maioria dos indivíduos expostos a ela, como a hipotermia por ácido acetilsalicílico em crianças. 

2) Reação idiossincrática: é uma reação anormal a droga por inibição de uma atividade enzimática, sem mecanismo imunológico envolvido. Pode acontecer de pacientes com que quando ingerem primaquina desenvolvem anemia hemolítica (uma deficiência genética relacionada ao metabolismo da droga que se manifesta quando se expõe ao medicamento). 

3) Reação de hipersensibilidade ou alergia: é uma reação a drogas resultante de resposta ao mecanismo imunológico, isto é, quando há a participação de anticorpos circulantes específicos (IgE, IgM e IgG) ou linfócitos específicos sensibilizados. Essa reação não tem relação com a quantidade de droga administrada. Correspondem a 10 a 20% das reações adversas a medicamentos. Uma reação alérgica não costuma acontecer na primeira exposição do medicamento, porque é preciso um período de sensibilização anterior. A re-exposição à droga acarretará em uma nova reação geralmente mais rápida que a anterior. Como exemplo, temos a urticária provocada por penicilinas. 

4) Reação anafilactoide ou pseudo-alérgica: é uma reação que não envolve anticorpo específico ou linfócitos T sensibilizado. Ocorre liberação de mediadores diretamente de mastócitos ou basófilos e ou ativação de um sistema chamado complemento. As manifestações clínicas são semelhantes a de uma reação alérgica. Um exemplo é a urticária relacionada ao acido acetilsalicílico. 

Tipos de alergias

A maior parte dos medicamentos que provocam reações adversas, não é por mecanismos imunológicos, ou seja, não é uma reação alérgica. Porém, quando elas acontecem, existem algumas classificações específicas. 

1) Reação imediata tipo I: tem a participação do anticorpo IgE, resultando num quadro clínico com rinite, asma, urticária, angioedema (edema da derme profunda atingindo pálpebras e lábios) e anafilaxia (em que o paciente pode apresentar coceira na pele, vermelhidão, sensação de desmaio, falta de ar, chiado no peito, queda de pressão, choque, náuseas, vômitos e diarreia, urticária e angioedema. A obstrução progressiva das vias aéreas e colapso circulatório podem levar a coma e óbito). 

2) Reação tipo II: ação direta do anticorpo IgM ou IgG no tecido ou orgão, com ativação do sistema complemento. Pode atingir pele, pulmão, fígado, músculos, nervos periféricos e células sanguíneas. Pode provocar anemia hemolítica, diminuição de plaquetas e nefrite intersticial. 

3) Reação tipo III: Envolve a formação de um complexo antígeno-anticorpo que provoca lesão do tecido com ativação do sistema complemento. O quadro clínico envolve febre, urticária, presença de gânglios, inflamação das articulações, vasculite e envolvimento renal. 

4) Reação tipo IV: que é mediada por linfócitos T sensibilizados com produção de linfocinas, como a dermatite de contato. 

As reações alérgicas podem ser imediatas (30 minutos até 2 horas após a administração da droga), aceleradas (2 a 48 horas após a administração da droga) e tardias (48 horas após a administração da droga). 

A reação adversa a medicamentos é adquirida. É possível nunca ter sido alérgico a um medicamento e de repente se tornar. Pacientes atópicos (com asma, rinite e/ou dermatite atópica) podem apresentar reações IgE mediadas mais graves. A via de administração parenteral, ou seja, por soro ou aplicação tópica, provoca reações mais complexas. A incidência de reação alérgica ao medicamento é maior quando administrado de forma intermitente. O uso contínuo está associado a menor incidência de sensibilização alérgica. 

Às vezes as drogas apresentam estruturas químicas semelhantes e por este motivo dizemos que apresentam reação cruzada, ou seja, podem provocar os mesmos efeitos. Isso explica porque pode ser necessária a suspensão de um grupo de medicamentos. A incidência de reações cutâneas alérgicas é 35% mais frequente em mulheres. Os fármacos que mais provocam reações adversas são os antibióticos e os anti-inflamatórios não hormonais. 

Diagnóstico de alergia a um medicamento

Os testes para detecção de alergia a medicamentos não mostram eficácia e especificidade para todos os fármacos. A maioria das reações a drogas não é dependente de mecanismo IgE mediada, portanto não respondem a um teste alérgico Muitas reações imunológicas são provocadas por metabólitos e não pela droga principal. Estes metabólitos são de difícil identificação. 

Os testes mais utilizados são: 

  • teste cutâneo de hipersensibilidade imediata

  • teste de provocação

  • teste de contato

  • detecção de anticorpos IgE, IgM, IgG específicos.

Muitos destes testes não são realizados em consultório, porque necessitam de monitorização em ambiente hospitalar. O que melhor caracteriza o diagnóstico é a minuciosa história clínica. Os testes ficam reservados para o paciente que não tem como substituir o medicamento. 

Tratamento

A medida mais importante é o afastamento do medicamento suspeito. Como muitas vezes há reação cruzada com outras drogas, portanto é necessário evitar o grupo todo. O médico especialista deve orientar a substituição por um fármaco semelhante. 

Há um tratamento realizado em Hospital Escola chamado de dessensibilização, que consiste em, por meio de protocolos bem definidos, induzir a tolerância do medicamento. O tratamento farmacológico específico das reações adversas inclui administração de corticosteroides, anti-histamínicos e adrenalina, além de todo suporte em caso de anafilaxia (oxigênio e estrutura de UTI).

FONTE: MINHA VIDA.COM.BR

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